sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Street Style: Negócio de Rua

Quando falamos em street style, o termo nos remete a blogs como Jak & Jil, The Sartorialist, Garance Doré, etc. Certo? Pois é, mas vamos analisar um pouco mais a fundo o trabalho desses fotógrafos, e tentar entender o real fundamento deles. A maioria tem como seu escritório a saída de desfiles, ou seja o máximo de street que há nessas fotos são uns vinte passos que separam o desfile do táxi que espera as role-models da moda. E é nesse momento em que as fotos são feitas. É como se fosse uma cobertura dos desfiles do lado de fora, já que quase todos os looks clicados são os mesmos vistos na passarelas, as pessoas que querem ser clicadas por esses blogs podem apenas acrescentar acessórios, mas usar um modelo de passarela emprestado do seu amigo RP é essencial.
Mas antes dos blogs, das novas mídias, dos posts patrocinados, o street style mostrava a sua verdadeira forma, através de fotógrafos como Bill Cunningham, que assina uma das colunas mais famosas do NY Times desde os anos 70, a On The Street, e que recentemente teve seu trabalho documentado no filme New York.
Esse afastamento dos blogs com seus leitores e aproximação dos mesmos com seus patrocinadores ou anunciantes resulta numa perda de integridade em seu conteúdo. Scott Schuman, do The Sartorialist apontou numa entrevista ao The Talks essa falta de integridade, mas por parte das revistas impressas: "Revistas são movidos pelo medo: eles têm de manter esses publicitários e fazer estas coisas para eles. Mas agora os blogs têm crescido tanto que eu recebo e-mails assim o tempo todo. Mas nós sabemos, Garance e eu, que a coisa para nós é o nível de integridade para nós simplesmente não fazê-lo.", na mesma entrevista Scott diz que o sucesso de Tavi Gevinson é um produto da conspiração do mercado editorial que quer diminuir a credibilidade dos blogs. A confiança do público com as revistas de fato vêm sendo questionada há algum tempo, mas e quanto aos blogs, qual a confiança que podemos ter e transmitir por eles?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Por trás das Vitrines

No mês de agosto, a rede Bandeirantes fez uma reportagem-denúncia sobre o trabalho escravo moderno no Brasil. Além do trabalho em carvoarias, o que mais chamou a atenção do público foi o fato de uma grife internacional tão conhecida como a Zara estar envolvida em um escândalo desses.
A reportagem original vem da ONG Repórter Brasil, que ainda acompanha o caso depois de sua exposição na mídia graças a Band, para saber se as medidas impostas pela justiça serão aplicadas de fato.
O choque com a notícia veio tarde, e possivelmente já passou também. Assim como os carvoeiros, que é um tema recorrente na televisão, as costureiras da Zara foram esquecidas após uma semana de reportagem e todos voltaram a liquidação da Zara para aproveitar os preços considerados baixos para o padrão de lojas de um shopping center paulistano, mas absurdamente altos se levado em conta o custo de produção.
É o preço pago pela globalização, aliás, é apenas um deles. E como é típico desse sistema, os culpados serão procurados, mas quem são eles? Os consumidores, por exigir cada vez mais por menos? O Estado por permitir que uma indústria nessas condições se instale no país? As costureiras que terceirizam o serviço se sujeitando a condições escassas de trabalho? Parece absurdo culpar as costureiras, mas foi isso que aconteceu no caso Zara: a culpada pela facada foi a faca.
Mas essa é uma realidade que já é bem consistente no ramo têxtil, não apenas no Brasil, mas em muitos outros países que terceirizam mão de obra para grandes marcas, como a Nike, GAP, Zara, Billabong, Brooksfield, A&F e inúmeras (talvez incontáveis) outras. Faça o teste, dê uma olhada na etiqueta do que você está usando, se for de uma das marcas citadas acima, com certeza aparecerão nelas países como Sri Lanka, Bangladesh, China, Taiwan, etc.
E é essa realidade que o documentário China Blue retrata. O filme que foi feito sem a autorização das autoridades chinesas, nos da um relatório alarmante da pressão imposta pelas grifes ocidentais e suas consequencias humanas. Para quem quiser ver, e eu recomendo que todos o façam, tem na íntegra no youtube, é só clicar aqui.
Mas infelizmente o problema não acaba aí. Segundo dados revelados recentemente pelo Greenpeace no Dirty Laundry Report 70% das águas chinesas estão afetadas por poluição decorrente de produções nas empresas têxteis. Com isso, a ONG criou uma campanha viral chamada DETOX que envolve um duelo entre Nike, Adidas e Puma para saber qual marca vai mexer primeiro na questão da poluição dos rios chineses.
Não sei até que ponto podemos confiar em campanhas como essa do Greenpeace, uma companhia tão grande e com resultados tão pequenos se comparados a seus recursos financeiros, mas o fato é que a atenção do mundo está sendo voltada para essas marcas e para os problemas causados por elas, então acho que vale mais a nossa atenção do que qualquer loja anunciando em sua vitrine: ON SALE.