No mês de agosto, a rede Bandeirantes fez uma reportagem-denúncia sobre o trabalho escravo moderno no Brasil. Além do trabalho em carvoarias, o que mais chamou a atenção do público foi o fato de uma grife internacional tão conhecida como a Zara estar envolvida em um escândalo desses.
A reportagem original vem da ONG
Repórter Brasil, que ainda acompanha o caso depois de sua exposição na mídia graças a Band, para saber se as medidas impostas pela justiça serão aplicadas de fato.
O choque com a notícia veio tarde, e possivelmente já passou também. Assim como os carvoeiros, que é um tema recorrente na televisão, as costureiras da Zara foram esquecidas após uma semana de reportagem e todos voltaram a liquidação da Zara para aproveitar os preços considerados baixos para o padrão de lojas de um shopping center paulistano, mas absurdamente altos se levado em conta o custo de produção.
É o preço pago pela globalização, aliás, é apenas um deles. E como é típico desse sistema, os culpados serão procurados, mas quem são eles? Os consumidores, por exigir cada vez
mais por menos? O Estado por permitir que uma indústria nessas condições se instale no país? As costureiras que terceirizam o serviço se sujeitando a condições escassas de trabalho? Parece absurdo culpar as costureiras, mas foi isso que aconteceu no caso Zara: a culpada pela facada foi a faca.
Mas essa é uma realidade que já é bem consistente no ramo têxtil, não apenas no Brasil, mas em muitos outros países que terceirizam mão de obra para grandes marcas, como a Nike, GAP, Zara, Billabong, Brooksfield, A&F e inúmeras (talvez incontáveis) outras. Faça o teste, dê uma olhada na etiqueta do que você está usando, se for de uma das marcas citadas acima, com certeza aparecerão nelas países como Sri Lanka, Bangladesh, China, Taiwan, etc.
E é essa realidade que o documentário
China Blue retrata. O filme que foi feito sem a autorização das autoridades chinesas, nos da um relatório alarmante da pressão imposta pelas grifes ocidentais e suas consequencias humanas. Para quem quiser ver, e eu recomendo que todos o façam, tem na íntegra no youtube, é só clicar
aqui.
Mas infelizmente o problema não acaba aí. Segundo dados revelados recentemente pelo Greenpeace no
Dirty Laundry Report 70% das águas chinesas estão afetadas por poluição decorrente de produções nas empresas têxteis. Com isso, a ONG criou uma campanha viral chamada
DETOX que envolve um duelo entre
Nike, Adidas e Puma para saber qual marca vai mexer primeiro na questão da poluição dos rios chineses.
Não sei até que ponto podemos confiar em campanhas como essa do Greenpeace, uma companhia tão grande e com resultados tão pequenos se comparados a seus recursos financeiros, mas o fato é que a atenção do mundo está sendo voltada para essas marcas e para os problemas causados por elas, então acho que vale mais a nossa atenção do que qualquer loja anunciando em sua vitrine: ON SALE.